setembro 30, 2016

Novidade



Um dia me disseram que fazia poesias infantis
Talvez porque ainda não tivesse crescido
Eu vivia amores juvenis

Um dia me disseram que eu tinha um coração gelado
Hoje sei que é porque antes nunca havia me apaixonado

Um dia me disseram que a vida aconteceria
Que era só esperar, que todo sonho se realizaria.

Um dia me disseram para eu não chorar, não questionar, não sofrer.
Não teria mais que esperar, não teria mais que tentar vencer.
Mas não porque estivesse tudo acabado
Mas porque o amor tinha chegado
Eu iria começar a viver

Um dia me disseram que eu pararia de escrever
Não quis acreditar
Hoje é fácil de entender
Tenho um amor pra me dedicar
Que nada mais é que ver meus filhos a crescer .

Irene Tiraboschi
(direitos reservados)

março 01, 2016

Estranha Arte




Nasci e cresci vigiada pelo vento.
Passei anos atrás de uma escura armação.
Ninguém sabia o que se passava na minha mente,
até que coloquei as lentes
e vi que o mundo era um inferno sem salvação.

Conheci o sol, fiz amizade com a chuva
Enfrentei a dona aranha, tentando escapar.
Aventurei do lado de fora da janela e fracassei.
Voltei para o canto protegido da sala, sem questionar.

Percebi que não era uma onça em extinção
e sim algum bicho peçonhento,
indefeso,perdido e nojento,
neste mundo cheio de contradição.

Eu aprendi a conversar.
Editei, por mil vezes, meu amor.
Eu fui amada e traída.
Eu decidi, desisti, investi e perdi
Sei muito bem o que é dor.

Eu vi que não era uma pessoa normal
porque ser normal é da essência do ser.
Vi amanhecer sem ter dormido
e dormi para não amanhecer.

Eu busquei ver o mar para que ele se desculpasse
e quando o encontrei,pedi perdão.
Eu perdi pessoas especiais
e quase morri por não estar na direção.

Percebi que o coração bate mesmo que eu não queira
Que o vampiro se casa com uma gravata vermelha
E quando pensei ter visto um caranguejo
estava encarando um tubarão.

Eu fiz poesia com gosto de lágrimas
e textos engraçados tomando uma cerveja
E com toda certeza de quem senta num bar,
eu escrevi, com sabedoria, o quanto é difícil amar.

Meu melhor tropeço são os meninos
que crescem com a doce calma do furacão
São meu melhor texto, meu grande acerto,
a melhor poesia e minha maior realização.

E depois de ver um pouco do que fiz direito,
e que a regra, na minha vida, é exceção,
busquei traduzir, nessa estranha arte,
o que ainda sente meu pobre e sofrido coração.
Irene Tiraboschi
(direitos reservados)

novembro 30, 2015

benevolência

não sou tão má quanto pareço
eu, lá no fundo, desejo
que a brisa se aquiete e que não haja vento
seria um verdadeiro lamento
coisa do tipo que não se remedeia
você ver destruído por completo
seu mundinho encantado feito de areia
deparar-se com realidade
que não existe essa sorte, essa fama ou a cidade
faria se sentir um fracasso na sua idade
coisa que é e não sabe
haja visto a ausência de maturidade.


Irene Tiraboschi 

direitos reservados