maio 22, 2009

Quase uma Poesia


Minha tristeza viaja com o vento agora
Eu estou vendo toda a dor voar como uma ave
E essa ave leva minha mágoa
Leva a dor e aquele olhar perdido que me persegue

Minha tristeza está indo com a correnteza
Como um pente que deixamos cair à beira do riacho
E que não conseguimos alcançar
É só um pente, para que ir buscar?

Minha tristeza acabou como um pote de sorvete
Secou como uma poça d água, após uma chuva ácida
Terminou como se termina um namoro sem compromisso
Agora vejo a lacuna do meu coração
Como um remendo de um vestido
O retalho colorido que cobre o rasgo
até o deixa mais bonito

Minha tristeza acabou assim como meu dom para rimas
Mas a vontade de escrever que sentia, me trouxe até a velha máquina
E com ela tecer como se fosse uma coberta de linha
a alegria fria do momento

Minha tristeza se foi e agora são os tais novos tempos
Com crises e gripes de bichos que fazem as pessoas viverem isoladas
E se nosso abraço pode nos levar a morte
Melhor será viver sozinha
E isso que anima!

Eu nunca irei me machucar
O que me dá certeza de que tal a tristeza
Nunca irá voltar.

Irene Tiraboschi
(direitos reservados)

outubro 16, 2008

Modernidade

O mundo se afeta com modernidade ou seria a modernidade que nos afeta no mundo?
A modernidade ajuda em muitas coisas e hoje podemos até ter um mundo nas mãos.
Você sabe onde está por equipamentos eletrônicos modernos, você fala com quem está do outro lado do planeta, você pode carregar sua vida em pequenos compartimentos de um giga, vulgarização da unidade de medida no mundo da informação.
Informação...
Você tem todas com um clique, talvez o mesmo que estalar os dedos; Senta, digita e tecla “Enter” e agora sabe tudo, poderá falar de tudo, se orienta, estuda, namora, compra, vende e aprende...Céus, eu sou do tempo que se namorava no portão ou na pracinha mais próxima!!!
Antes, íamos à festas para conhecer alguém,hoje, basta olhar o perfil em sítios de relacionamento e dizer “ oi, gostei de você” e, isso, te levará a verbos que Aurélio sequer sonharia, como “ adicionar amigos”, no meu tempo, fazíamos amizades e ganhávamos amigos, se bem que não altera muito.
Nunca me deu na idéia que a idéia viria sem acento e agora, pela nova lei, quem erra está certo, as professoras não terão mais que fazer riscos enormes no caderno de quem não acentuou e daqui uns dias, o que será do caderno, todo mundo terá um microcomputador.Triste!
Mas o mundo caminha com passos largos, saltos, ousaria dizer, e você tem que se adequar a isso, se quiser sobreviver.
Estou muito triste com essa minha atual interface, vou formatar tudo, farei back up do que está bom e depois inserir um disk com o que há de mais avançado, buscando otimizar resultados.Talvez eu me instale um antivírus, anti-problemas, anti-gente chata, anti-falta de dinheiro,anti-tragédia e anti -furtos.
O mundo está tão computadorizado, mas você ainda é surpreendido na rua por um homem normal, com “interface” assustadora que te diz, como antigamente:"é um assalto"
Dá pra cancelar?
Posso restaurar o sistema, voltando no ponto onde não havia perigo?
Seria fácil, removeria o espião, arrastaria as vítimas para um local seguro e depois “enter” para continuar o jogo da vida. Que sonho!!!
Meu olho não tinha uma micro câmera para registrar e nem era pantera para dar um looping de 360º e chutar-lhe a cabeça, faria questão de gritar um “yah” como nos filmes.Outro devaneio!!!
Eu poderia ter os poderes dos mutantes, ou o Batman poderia me salvar, mas Gothan estava deserta naquele dia.
Eu fui atrás de pobres mortais fardados que embora estivessem ali para me defender, não viram ninguém e também não alcançaram porque não têm visão além do alcance.
Alguém, por favor, rebobine a fita e me mande um e-mail avisando pra eu mudar o caminho?
Impossível!
Agora, terei que conviver com o medo, abalada e com os transtornos herdados do Scarface pra resolver.
Vou me formatar e depois colocar programas viáveis como coragem e deletar todo histórico negativo.
Não sou máquina, homem é que sou, Sir Chaplin estava certo e talvez, já naquela época, ele tinha uma vaga idéia, com ou sem acento, do que seria o tempo moderno.

Meu telefone móvel se movimentou de tal forma que foi para mão de estranhos, está na caixa postal, deixe seu recado após o sinal porque estarei off-line ou temporariamente fora de serviço.Estou desacreditada dos homens e “descreditada” dos telefones.
E a vida continua, vou ouvir minha secretária eletrônica, tão logo eu tiver uma.
Hoje em dia, como se diz “eu te amo” ?
De qualquer forma, em qualquer papel, e-mail, inteiro, torpedo, pombo-correio ou sinal de fumaça, telefone sem fio, com palavras, com olhar, longe ou perto, não importa, faça antes que seja tarde, pois você pode ser surpreendido e algo mudar completamente a planilha de sua vida.E, apesar de hoje, você poder simular muita coisa na second life você ainda morre de repente porque o futuro não se pode prever.
E a modernidade?
Eu a vejo meio que desfocada, pois o abraço que eu precisava, fui buscar de ônibus e ainda me olho no espelho com a mesma interface de antes, apenas um pouco mais assustada.
Para que tanta facilidade, se tudo que você compra em 12 meses, te levam em 5 minutos?
Pra que tanta modernidade, se os princípios que regem o mundo são os mesmos da antiguidade e os vícios que te perseguem estão entre nós desde o início dos tempos?
Talvez eu não chegue a uma conclusão, talvez eu “jogue” no google e encontre um milhão de indignados como eu.
Talvez minha resposta esteja na bíblia, mas quem nos faz mal, dificilmente entra em contato com ela ou mesmo com Deus.
Pode estar em pergaminhos antigos, escritos com a mesma tinta venenosa que dizimou tantos curiosos medievais.Quem sabe?
No entanto, acredito que esteja dentro de nosso coração, dos bons princípios e da vontade de cada um de ser feliz e viver num mundo melhor e com maior união.


Irene Tiraboschi
(direitos reservados)

setembro 03, 2008

A Senhora

Estava sentada no ponto de ônibus, aquela confusão de pessoas correndo, atrasadas ás vezes, ou sem pressa alguma, como o velhinho que ia apenas passear.O cara, que vende bilhetes, gritava o nome do destino de cada carro que parava e, depois, para onde ia cada carro que estava saindo.
Quanta confusão!
Mas o meu chegou e dali eu parti.
Uma senhora cantava.
Com tanto barulho,vozes e buzinas, ela cantava uma velha canção da jovem guarda,acho que era do rei,não sei, mas sua voz fraca e serena ecoava o barulho da multidão,bastava prestar atenção.
A música era cantada com emoção, um amor perdido no passado ou a saudade do marido que poderia estar em casa ou distante dali, separado pelo tempo, pelo lamento.
Ela cantava como se fosse trilha sonora do que estava a pensar.Na minha mente lembranças boas, sorrisos,risada,abraços,brincadeiras e saudade.
Como não deixar uma lágrima cair, era só eu e a canção triste daquela senhora, eu não ouvia mais nada, nem via o ônibus lotado, pessoas sem lugar para sentar,nada mais havia ali, apenas a saudade de um momento não tão distante,apenas a canção da senhora.Apenas meu coração, apenas meu pensamento em você.
Voltei a realidade quando ela me tocou,e segurando minhas mãos, me chamou:
“ _ Por que chora querida?”
Eu olhei seus olhos tão brilhantes, mas escondidos pelos anos que se passaram, as mãos com marca visível de que conhecia o amor e as duas alianças mostravam que o pra sempre, como disse o poeta, um dia sempre acaba.
Eu a olhei com vontade de rever sua vida,como se tivesse um filme ou mesmo um simples álbum de retrato, olhei desejando ser ela, daqui uns anos, e ter aquele mesmo rosto de quem havia se realizado, ter o mesmo sorriso de quem foi feliz a vida toda, e respondi:
"_Acho que choro por mim! Ouvindo a senhora cantar, pensando em tudo que me aconteceu.Não sei explicar!"
Ela sorriu e disse que era bom saber que alguém a ouviu e me aconselhou a fazer o mesmo:
"_ cantar, cantar e cantar!"
Ao descer do ponto, dois ou três antes do meu, ela olhou para trás, com seu vestido florido, e acenou, tinha um sorriso sincero, que de alguma forma encheu de esperança meu coração.
Quando cheguei em casa, passei pelo espelho e vi o olhar daquela senhora, vi seu sorriso levemente misturado ao meu.
Seria loucura talvez pensar, insanidade, lucidez fora do lugar, mas de certa forma me ocorreu, que aquela senhora fosse mesmo eu.

Irene Tiraboschi
(direitos reservados)